Casa de repouso ou morar com familiares? Como tomar esta difícil decisão

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O aposentado Ismael já se prepara para a fase da vida em que não terá mais autonomia; a psicóloga Simone  Manzaro explica a importância da família neste processo

 

Por Mariana Parizotto

 
No auge de seus 60 anos, o aposentado Ismael Ferreira Campos (na foto com sua irmã) é independente, faz suas atividades diárias, vive com a mulher e dois filhos. Porém, o medo de perder a autonomia com o avanço da idade, já faz parte de suas preocupações. “Sempre corri atrás de tudo para ter uma aposentadoria plena, mas sei que vai chegar o momento em que eu não terei mais condições de seguir minha rotinha normalmente. Tenho medo de me sentir um inútil, de ver minha jornada chegando ao fim, por isso, eu e minha mulher já decidimos que quando estivermos muito velhinhos, ficaremos ao lado dos filhos. A família tem que ser unida até o final”, opina Ismael.
 
Diferente de muitos jovens que almejam sair de casa para morar sozinho, quem está na terceira idade, como o aposentado Ismael, convive com o sentimento de que em algum momento não será mais possível manter a mesma vida de antes. “Grande parte dos idosos tem uma grande resistência em sair do seu próprio lar, é nele que moram suas lembranças, seus bens materiais, a rotina é estabelecida de acordo com sua vontade e é no lar que eles têm liberdade para fazer o que desejam. Ir morar com o filho ou em uma casa de repouso são grandes dilemas. Neste processo necessita-se considerar muitas questões, principalmente do respeito ao idoso como pessoa”, elucida a  psicóloga Simone  Manzaro.
 
Segundo o especialista, primeiramente devemos analisar quem é esse idoso. É um idoso independente? Dependente? Precisa de cuidados específicos de saúde e acompanhamento? Ou precisa apenas estar perto da família? “O mais importante é que o idoso participe dessa decisão, é um direito dele e precisa ser respeitado, salvo apenas em casos em que o idoso já perdeu sua autonomia (quando não decide por si próprio)”, explica.
 
Sinais que devem ser considerados
 
As razões para os idosos deixarem de morar sozinhos são muitas. A primeira é que na terceira idade é muito comum os acidentes domésticos. Para se ter uma ideia, a lesão acidental é a sexta maior causa de mortalidade entre pessoas de 75 anos. Outro motivo é que nessa faixa etária é um período em que a pessoa está mais propícia a ser acometida pela depressão – principalmente entre aqueles que perderam entes ou amigos queridos e que não costumam ter uma vida muito ativa. 
 
“O idoso deve deixar de morar sozinho quando ele mesmo e a família perceberem que sua capacidade funcional está comprometida, existindo dificuldades em cuidar de si, de realizar as atividades de vida diária (AVD´s) e/ou quando apresentar alguma patologia que necessite de cuidados específicos e acompanhamento diário”, exemplifica Simone.
 
Casa de familiares ou casa de repouso?
 
Se a capacidade cognitiva do idoso estiver preservada e ele for independente, é interessante deixar que ele decida se quer ir ou não. A especialista também salienta que deve-se considerar fatores de ordem econômica, estrutural e relacional, “alguém da família pode cuidar desse idoso? A família tem condições financeiras de pagar por alguém que cuide? A família tem um bom relacionamento com esse idoso. O idoso deseja ficar com a família? Tudo isso deve ser falado e debatido claramente”, aconselha.
 
Se a opção for por uma casa de repouso, esta deve ser muito bem pesquisada e analisada, “precisamos saber sobre todos os detalhes, desde banhos diários, quartos arejados a tratamentos dados pelos profissionais do lugar e, principalmente, qual a frequência de visitas que a família fará”, comenta a psicóloga, ressaltando que as visitas são a parte mais importante nestes casos, “a família tem que estar presente para que o idoso não sinta que foi apenas ‘deixado’ ali, pois, em vez de produzir bem estar será uma experiência totalmente negativa, o que poderá acarretar em um processo de depressão por abandono”.
 
Adaptação
 
Independente da escolha feita, o processo de mudança pode gerar um quadro de depressão, afinal o idoso mudará completamente sua rotina, seus hábitos e terá que adaptar-se a uma nova condição de vida, o que para ele, depois de muitos anos vivendo em uma mesma casa, acaba sendo angustiante.
 
“A família é a base, é ela quem deve estar presente neste momento, estimulando o idoso, incentivando, tudo para que ele se sinta útil na nova fase, chamá-lo para participar das conversas, de estar em família”, finaliza a especialista.
 

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