Cirurgia feita na Paraíba pode realmente frear o Alzheimer?

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Veja o que diz o geriatra da ABRAz sobre esta notícia que tem gerado muitas dúvidas em cuidadores e familiares de portadores de Alzaheimer
 

 

Redação Plena

Uma recente matéria publicada no jornal Correio da Paraíba tem dado o que falar (veja a reportagem). A notícia alega que a cirurgia para Estimulação Profunda do Cérebro (uma espécie de implante de "marcapasso cerebral"), desenvolvida por canadenses e agora realizada na Paraíba, teria capacidade de impedir a progressão da doença de Alzheimer e restaurar a memória.  A intervenção aconteceu no dia 11 de dezembro, no Hospital Napoleão Laureano, em um paciente de 77 anos. 
 
Em resposta ao grande número de mensagens e dúvidas de familiares e cuidadores de portadores da doença, o Dr. Otávio Castello, Geriatra e Diretor Cientifico da ABRAz-DF, esclareceu o assunto na página oficial da ABRAz. Confira:
 
"Adoraríamos que sim, mas infelizmente isso não é verdade. É certo que ela parece melhorar uma certa área do cérebro, pois existe a ação na ESTRUTURA do órgão (aumento parcial do hipocampo) e melhora TEMPORÁRIA da memória (função). MAS NEM DE LONGE IMPEDE A PROGRESSÃO DA DOENÇA OU PARALISA SUA EVOLUÇÃO.
 
Ainda, pondero, que para alcançar tal resultado, é preciso uma cirurgia cerebral que implanta dentro do cérebro um eletrodo.
 
Em síntese, trata-se de um PROCEDIMENTO AINDA EXPERIMENTAL, feito em pouquíssimos casos, com resultados ainda duvidosos (porque não revertem o curso da doença, que continua a piorar) e com muitos riscos (estamos falando de uma cirurgia cerebral em pacientes que já tem um cérebro doente).
 
A equipe paraibana tem o mérito de tê-la realizado no Brasil, em continuidade ao trabalho da equipe canadense do Prof. Lozano, de Toronto. É uma linha de pesquisa válida, é claro, mas ainda bem inicial.
 
Complemento relatando que pessoalmente assisti a apresentação dos resultados de Dr Lozano em Montreal, no ano de 2014, o suficiente para embasar minhas afirmações acima. Ele descreveu que fez estimulação cerebral profunda em um número reduzidíssimo de pacientes, e embora alguns tenham tido resultados satisfatórios temporariamente, outros não o apresentaram. Além disso, registre-se, é um procedimento experimental que nem ele mesmo (prof. Lozano) está realizando em Toronto, mas apenas fez em alguns pacientes, num dado momento, para pesquisa. E os resultados, até o momento, são modestos – e até polêmicos. Ele mesmo afirmou que pesquisas suplementares seriam imprescindíveis para esclarecer a real utilidade do método. E o trabalho paraibano está na sequência dessa linha de investigação experimental.
 
Por isso recomendo muito cuidado pra que não se crie uma "histeria de busca pela cirurgia".
 

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