Como é dura esta luta: um depoimento sobre o alcoolismo

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“Já fiz muita gente querida sofrer.  Várias vezes pensei em morrer para não ver mais o sofrimento das pessoas que amo”, diz trecho do desabafo do nosso leitor, Antonio Costa

 

Redação Plena

 
Recebemos na semana passada um e-mail de um leitor, a quem vamos chamar de Antonio Costa. Mais do que uma carta, o relato é um verdadeiro desabafo sobre a doença que atinge mais de 5 milhões de brasileiros: o alcoolismo. 
 
Nosso leitor intitulou seu texto como “Esta dura luta”.
 
Antonio Costa dá voz a milhares de pessoas, do jovem ao idoso, que lutam diariamente contra o álcool, que se enquadra na categoria de substâncias psicotrópicas depressoras, juntamente com os inalantes, o clorofórmio, o éter e os calmantes.
 
Vejam o relato:
 
Sou alcoólatra. Tenho 53 anos. Casado com uma mulher maravilhosa. Acho que em razão da minha doença, ela não saberá ou nunca acreditará no tamanho do meu amor. 
 
Meus filhos são lindos de corpo e alma. Descreve-los a mim é impossível. Não possuo tamanha capacidade poética.
 
Todo santo dia acordo pensando em largar o álcool. Faço esporte com regularidade, e quando corro, minha modalidade preferida, crio várias formas de combater o alcoolismo em meus pensamentos.
 
Já fui ao AA. Já me internei. Fiz promessas a todos os santos que conheço e aos que não conheço também.
 
Já fiz muita gente querida sofrer.  Várias vezes pensei em morrer para não ver mais o sofrimento das pessoas que amo.
 
Neste momento meu casamento corre sério risco. Sinto-me muito enfraquecido diante da possibilidade da separação. Este enfraquecimento me derruba. Coloca-me num ciclo ruim. Muito ruim. 
 
Meu pai é alcoólatra e no álcool perdeu a memória. Ouvi dele toda a vida que quando se aposentasse seria uma alegria. Foi, por três meses, depois se embebedou. Só parou quando perdeu a memória. Acho que não se lembra de um único dia deste período.
 
Esta luta é dura. A minha mais dura luta. Não tenho estatísticas, porém acredito que muita gente com a minha idade e mais velhos e mais novos sofram das mesmas angústias.
 
Ainda não sei o remédio adequado para mim. Mas vou continuar lutando. Enquanto viver vou lutar.
 
Vou lutar por mim, pelos meus filhos e pela minha mulher. Vou lutar pela vida. 
 
Acho que todos nós alcoólatras deveríamos pensar num grande movimento contra o álcool. Sem receio. Perdi muitas pessoas queridas por causa do álcool. Gente que morreu de cirrose, de acidentes, de tristeza. Vou continuar lutando.
 
Este e-mail motivou o Portal Plena a iniciar uma campanha sobre alcoolismo. Vamos debater? Compartilhem suas histórias. Mandem seus relatos, desabafos ou dúvidas para mariana@lyderis.com.br.
 
 
 
 
 

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