Como manter um diálogo com portadores de Alzheimer

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Veja algumas dicas do neurologista Willian Rezende do Carmo sobre o que dizer e o que evitar em uma conversa

Redação Plena

 

O neurologista Willian Rezende do Carmo aborda abaixo algumas dicas sobre o que dizer e o que evitar em uma conversa com um paciente com Alzheimer.

Não diga que a pessoa está enganada/confusa sobre algo: para sustentar um diálogo amigável, é melhor não contrariar ou corrigir o paciente com demência, se ele diz algo errado. “Normalmente, não há nenhuma boa razão para se fazer isso. Se o paciente está alerta o suficiente, ele vai perceber que cometeu um erro e vai se sentir  mal com isso. Mesmo que ele não entenda o seu erro, corrigi-lo pode constrangê-lo, pode ser desagradável para ele”, explica o neurologista.

Não discuta com a pessoa: nunca é uma boa ideia discutir com uma pessoa que sofre de demência. “Primeiro, você nunca irá ganhar essa discussão. Segundo, o paciente com demência provavelmente irá ficar perturbado ou até mesmo irritado. A melhor coisa a fazer é simplesmente mudar de assunto, de preferência, fale de algo agradável que imediatamente pode despertar a atenção do seu interlocutor”, ensina o médico.

Não pergunte se ela se lembra de alguma coisa: ao falar com uma pessoa que tem a doença de Alzheimer é tão tentador perguntar se ela se lembra de alguma pessoa ou de um evento. “Perguntas tais como ‘o que você comeu no almoço?’, ‘o que você fez pela manhã?’, ‘você se lembra da filha da tia Lúcia?’ são exemplos de questões que devem ser evitadas. É claro que a pessoa não pode se lembrar. Caso contrário, ela não teria um diagnóstico de demência. Evite o constrangimento ou a frustração dela não se lembrar. É melhor dizer: ‘eu me lembro que pela manhã, você comeu bolo de banana e adorou…’ E assim por diante”, ensina o neurologista.

Não lembre que um ente querido está morto: não é incomum que uma pessoa com demência acredite que seu cônjuge falecido, pai ou outro ente querido ainda está vivo. “O paciente pode se sentir confuso ou triste por não receber a visita dessa pessoa. Se você informá-lo de que a pessoa está morta, ele pode não acreditar e ficar irritado com você. E caso ele acredite em você, provavelmente vai ficar muito chateado com a notícia. Além do mais, o paciente com demência é muito propenso a esquecer rapidamente o que você diz e a voltar a acreditar que seu ente amado ainda está vivo”, diz Willian do Carmo.

Não aborde temas que possam perturbá-la: não há nenhuma razão para trazer à tona temas que você sabe que podem perturbar o paciente. “Lembre-se: não há razão para iniciar uma discussão com o paciente com demência. Isso só vai causar raiva e frustração no doente, agravando seu estado”, orienta o médico.

 

 

 

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