Cuidadora que teve que internar a mãe fala sobre quais aspectos devem ser analisados para escolher uma casa de repouso

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“Considero a tarefa de cuidar da vida alheia uma responsabilidade imensa e que deve ser feita com zelo, sem tirar a dignidade da pessoa que está doente. Há muitas clínicas que não levam isso a sério”, afirma Marcela Peres

 

Por Mariana Parizotto

 
Depois de internar a mãe, diagnosticada com Alzheimer, em uma clínica de repouso, a cuidadora Marcela Peres, de 28 anos, decidiu compartilhar um pouco da experiência adquirida neste processo. Conforme já publicamos aqui no Plena,  a mãe de Marcela teve um surto agressivo e ameaçou matar a filha, sem conseguir controlar a situação, Marcela decidiu colocá-la em uma casa especializada. 
 
A primeira clínica escolhida por Marcela parecia adequada, mas com o tempo, ela foi percebendo alguns problemas bem sérios. Como sua avó também está doente, Marcela identificou que era inviável, pelo menos por enquanto, trazer a mãe de volta para casa. A saída foi procurar uma outra clínica.  No relato abaixo, Marcela conta um pouco sobre o que aprendeu neste período e fala sobre quais aspectos devem ser analisados pelos familiares que precisam colocar seus entes queridos em casas de repouso:
 
" Depois de toda a experiência que vivi com a primeira clínica, fiz uma lista de coisas e itens que eu observei na nova casa, onde ela está há 4 dias:
 
• O que tem no quarto (na casa antiga não tinha nenhum móvel para colocar as roupas).
 
• Quantas pessoas ficam alojadas no mesmo quarto (na outra ficavam em quatro).
 
• Estrutura do banheiro (corrimões, espaço para cadeira de rodas).
 
• Se há ambiente externo e se oferece algum risco.
 
• Ambiente para socialização e se é confortável.
 
• Iluminação da casa (particularmente não gosto de ambientes muito escuros).
 
• Se os idosos estão dopados.
 
• Tratamento dos funcionários com outros pacientes (uma vez fui pagar a outra casa e peguei uma funcionária aos berros com uma senhora).
 
• Como os funcionários se tratam na frente dos parentes.
 
• Quando o parente chega se os funcionários ficam querendo “mostrar serviço” ou tratam o paciente com um ar falso.
 
• Se emitem nota fiscal, se estão regularizadas com o município e que tipo de contrato fornecem.
 
• Como e se o médico vai orientar os parentes sobre se a doença evoluiu, estagnou ou retrocedeu. 
 
• Orientações sobre medicamentos gratuitos e preenchimento das guias para a farmácia alto custo.
 
• Se a psicóloga vai mostrar as avaliações e orientar os parentes em como lidar com a doença.
 
• Informações verdadeiras sobre o paciente, não simplesmente dizer todo dia que a pessoa está bem, sabemos que isso não é verdade.
 
• Se a nutricionista adéqua as refeições para cada um (a minha mãe tem um sério problema com comida).
 
• Se há corrimões nas dependências da casa.
 
• Como é o sistema de entrada e saída dos parentes para que não haja fuga de pacientes.
 
• Como é a farmácia e como são armazenados os medicamentos.
 
• O quão é acessível o responsável pela casa de repouso.
 
• O procedimento da casa quando algum paciente se machuca ou precisa ir ao hospital.
 
• A frequência dos serviços de nutricionista, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional e etc.
 
• Referências sobre a casa.
 
• O que você deve comprar mensalmente e levar (chegaram a me pedir suspiro e misteriosamente sumiram os trinta caça palavras que enviei), normalmente são produtos de higiene e medicamentos.
 
• Como trabalham a autonomia do paciente.
 
• Como descartam o lixo hospitalar.
 
• Forma de manipulação e administração de medicamentos, principalmente os intravenosos.
 
• Procedimento quando algum paciente surta e se pedem autorização para administrar outros medicamentos além dos prescritos.
 
O mais difícil é saber diferenciar quando a pessoa está reclamando e faz parte da doença ou se é algo verdadeiro. No caso da minha mãe, algumas reclamações eram as mesmas de quando ela estava em casa, outras foram muito específicas e consegui descobrir que eram genuínas.
 
Considero a tarefa de cuidar da vida alheia uma responsabilidade imensa e que deve ser feita com zelo, sem tirar a dignidade da pessoa que está doente. Só decidi trocá-la de casa, pois tive uma referência de um conhecido que a mãe está há seis anos lá e estou entre idas e vindas de Bauru para ficar com a minha avó no hospital. Será minha última tentativa, pois o desrespeito com a minha mãe, meus parentes e comigo foi muito grande. Não era um serviço gratuito, não estavam fazendo-me um favor.
 
Quero e exijo que minha mãe seja tratada com respeito, que sua dignidade seja preservada e ela tenha o tratamento que a casa diz oferecer e que eu pago caro para tal. Sou chata sim, faço as coisas do jeito certo, ando na legalidade e na minha concepção quem age de forma contrária é porque tem algo a esconder. Prefiro apanhar da minha mãe novamente, viver estressada e parar de trabalhar para cuidar dela a pagar por um serviço que é deficitário e faz a doença dela avançar mais rapidamente.
 
Espero que esse texto ajude-os em algo."
 
Clique aqui caso queira ler o relato completo da Marcela.
 

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