Em 16 anos, mortes relacionadas à depressão crescem 705% no Brasil: idosos são as principais vítimas

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A chegada de doenças crônicas incuráveis, o luto pela perda de pessoas próximas e a frustração por não poder mais realizar algumas atividades tornam os idosos mais vulneráveis à depressão e ao suicídio. Especialista faz alerta para familiares

Redação Plena

Segundo levantamento inédito feito pelo jornal O Estado de S. Paulo com base nos dados do sistema de mortalidade do Datasus, em 16 anos, o número de mortes relacionadas com depressão cresceu 705% no Brasil. Estão incluídos na estatística casos de suicídio e outras mortes motivadas por problemas de saúde decorrentes de episódios depressivos.
Um dos dados mais alarmantes diz respeito à terceira idade: sobre as mortes relacionadas à depressão, os maiores índices estão concentrados em pessoas com mais de 60 anos, com o ápice depois dos 80 anos.
No caso dos suicídios, embora os números absolutos não sejam maiores entre os idosos, a maior taxa de crescimento no período analisado ocorreu entre pessoas com mais de 80 anos. Entre 1996 e 2012, o suicídio cresceu 154% nesta faixa etária.
A chegada de doenças crônicas incuráveis, o luto pela perda de pessoas próximas e a frustração por não poder mais realizar algumas atividades tornam os idosos mais vulneráveis à depressão e ao suicídio. “Estudos recentes indicam forte associação dos sintomas depressivos à limitação funcional em pessoas que estão na terceira idade. Essa faixa etária, no Brasil, é a que concentra o maior número de casos relacionados a comportamentos extremos resultantes da depressão”, alertaThiago Bicalho, geriatra do Hospital Pasteur e especialista em cuidados com a saúde do idoso.
Outra consequência negativa do problema é o uso exagerado de medicamentos antidepressivos em uma idade que já exige a necessidade de utilização de outros remédios, o que pode representar risco à saúde. “Nos anos de 2013 e 2014, os remédios controlados – popularmente conhecidos como ´tarja preta’ –, estiveram entre os dez mais vendidos nas farmácias brasileiras. Sendo que nem sempre são a melhor indicação para o problema, principalmente em pacientes com mais idade” diz Bicalho.
O médico explica ainda que o tratamento da depressão é essencialmente medicamentoso e que existem mais de 30 antidepressivos disponíveis. “Ao contrário do que alguns temem, essas medicações, quando ministradas de modo adequado, não são como drogas que deixam as pessoas exaltadas. A terapia não incapacita o paciente”, informa.
De acordo com o especialista, alguns pacientes precisam de tratamento de manutenção ou preventivo. No caso dos idosos, em especial, a observação dos familiares é fundamental e, a qualquer sinal de mudança no comportamento dos mais velhos, como vontade de isolar-se, irritabilidade, ansiedade, baixa autoestima, desânimo, cansaço fácil, medos inesperados, desespero e falta de esperança, é importante procurar cuidados especializados imediatamente.
“Depressão é uma doença séria e deve ser tratada por uma equipe médica. No caso dos idosos, é rigorosamente necessário avaliar o estado clínico geral do paciente antes de iniciar uma conduta para o tratamento de modo isolado. A boa notícia é que o tratamento, se seguido à risca, traz ótimos resultados”, finaliza Bicalho.

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