Envelhecer no Brasil é uma bomba relógio

*Wanderley Parizotto

Somente um a cada 25 brasileiros pensa em poupar para a velhice.

A imprevidência atinge até os brasileiros de renda mais alta e não é uma questão de pobreza: o Brasil perde para nações como Congo, Maláui ou Togo, que têm PIB per capita próximo de US$ 1.000 em paridade de poder de compra, medida que permite melhor comparação entre os países.

No Brasil, o PIB per capita foi US$ 15,4 mil em 2015, índice semelhante ao da Tailândia, país no qual 60% dos cidadãos poupam para a velhice. Os dados, de 2014, foram retrabalhados em 2016 visando especificamente a reserva para a idade avançada.

Um estudo do Banco Mundial encontrou forte correlação entre a economia para a velhice e a cultura de poupar.

 Em países asiáticos, onde a maioria das pessoas faz reservas financeiras de forma regular, a porcentagem dos que poupam para os anos finais também é mais alta.

Na Tailândia, 80% da população declara ter poupado algum dinheiro nos 12 meses anteriores. No Brasil, o 14º pior índice no mundo. apenas 28% tiveram a mesma atitude.

O Brasil se encontra no meio de uma profunda transformação socioeconômica, passando de um país relativamente jovem para um no qual  predomina a população idosa. Segundo relatório lançado  pelo Banco Mundial, o país pode tirar proveito dessa transição para impulsionar o desenvolvimento econômico e social e evitar dificuldades sociais, fiscais e institucionais no futuro.

“Mais do que se adaptar a uma mudança demográfica, o Brasil tem toda condição de usá-la para impulsionar o seu desenvolvimento. Com as políticas e o planejamento adequados, é possível envelhecer e se tornar desenvolvido ao mesmo tempo,” disse Makhtar Diop, Diretor do Banco Mundial para o Brasil“Populações mais velhas normalmente estão associadas a países com maior grau de desenvolvimento, e o Brasil certamente está se inserindo nesse grupo.” 

Para Diop, o envelhecimento é um desafio para qualquer país, mas o Brasil também enfrenta a velocidade dessa transição que é bem  maior do que aquela que ocorreu nos países desenvolvidos. A população idosa irá mais do que triplicar nas próximas quatro décadas, passando de menos de 20 milhões em 2010 para, aproximadamente,  65 milhões em 2050.

Essa mudança drástica no perfil da população pressionará instituições como a previdência e os sistemas de saúde e educação, e pode criar gargalos para o crescimento e a capacidade do estado em  financiar diversos serviços sociais.

*Economista, fundador deste portal.

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