Exercício proporciona reflexão sobre as limitações da velhice

Limites físicos ou emocionais existem em todas as fases da vida mas porque na velhice nos enxergamos de forma mais limitada e esquecemos o que de bom já fizemos e ainda fazemos?

Beatriz Monteiro **

 O corpo humano está em constante desenvolvimento e mudanças. Nascemos pequenos e vulneráveis, necessitando de uma figura de cuidado para nos ajudar a compreender o que somos e onde estamos. Conforme vamos nos adaptando, o corpo segue o seu ciclo e vai crescendo e se desenvolvendo.

As mudanças são muitas e às vezes não sabemos o que significa e como lidamos com essas mudanças.

             Conforme esse processo vai ocorrendo, os limites surgem de forma mais aparente.

E o que fazemos com esses limites? Durante a infância, a dependência é esperada; como eu, tão pequena poderia alcançar aquele brinquedo? Pedimos ajuda para um adulto ou usamos a criatividade para lidar com a dificuldade.

                Durante a adolescência e vida adulta, nos deparamos com limites e nossas escolhas de vida são baseadas neles.  A vida continua, encaramos nossos limites em todas as idades, lidamos de forma saudável ou não com estes limites e vamos nos construindo, passando por cima de alguns e convivendo com outros.

                Então, chega a velhice,  uma fase também repleta de pessoas, momentos e situações. Chegam também, mais mudanças.

Mudanças na pele, com as rugas e marcas de expressão, no cabelo, que está mais fino, no andar, que depende de fortalecimento e equilíbrio. Há também uma mudança no reflexo que se vê no espelho. Nele a  imagem é outra, vemos as marcas da nossa vida e da nossa história. Temos a percepção de nós mesmos, de nossos feitos e nossos limites.

 

Assim como na velhice, durante a infância também tivemos que aprender a lidar com nossos limites e possibilidades. (Imagem – pixabay)

No entanto, o limite sempre existiu, em todas as idades ele nos acompanhou, em vários momentos ele deu as caras e usamos os nossos recursos para lidarmos (ou não) com eles.

Diante disso, fica a pergunta: por que falamos de limite somente na velhice?

A velhice, aquela fase que provoca receio em muitas pessoas não é diferente das outras etapas. Ela vem junto com o limite e, da mesma forma que passamos pelas outras etapas, devemos acreditar que também passaremos por essa.

                               A proposta da atividade “Como sou?” realizada com idosos residentes do Lar Sant’ana e participantes do Centro Dia do Geros Center, tinha como objetivo a reflexão da imagem corporal e a elaboração dos limites percebidos por eles, através de produção gráfica e um breve texto.

Os idosos realizaram dois desenhos, o primeiro deveria representar como eles se percebiam enquanto mais jovens (não foi definida uma idade específica) e um relato breve sobre como era sua vida na época. Já o segundo desenho deveria conter uma representação de como o idoso está atualmente e, novamente, um breve relato de autopercepção.

A psicóloga Beatriz Monteiro durante a atividade ministrada e relatada neste artigo. Imagem: divulgação.

                Durante a atividade, foi percebido que, em sua maioria, os idosos, apesar das lamentações de não serem grandes artistas, apresentaram facilidade na representação e pareciam se divertir ao recordar os gostos e acessórios que usavam. Mas, quando solicitado o segundo desenho, a sala se encheu em um coro de um sonoro “ahhh!” que expressava grande lamentação. Os idosos apresentaram maior resistência quando a proposta era refletir sobre a visão que tem de si mesmos atualmente. Os desenhos com rugas surgiram e as especificações foram de que se sentem limitados e, nesse momento,      surgiu  a seguinte discussão: por que é tão mais fácil se perceber limitado hoje, na velhice? Por que as capacidades sumiram? Será que de fato sumiram? Mas porque eles se esquecem das atividades que fazem hoje?  Dos casacos, cachecóis e das meias tricotados para crianças hospitalizadas, por exemplo? Porque estes feitos não contam? Afinal, o que conta?

Este exercício nos mostrou que a reflexão sobre a limitação também envolve uma reflexão sobre a capacidade  de cada um. A atividade propiciou a maior percepção de si e mostrou que sim, os limites existem, mas não devem nos definir.

**Beatriz Monteiro – Psicóloga do Geros Center – CRP 06/129608

Fonte_ Assessoria de Imprensa

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