‘Faxina’ de velhos pobres e aposentados: esta é verdadeira reforma da previdência

A faxina de velhos pobres e aposentados (que conseguirem se aposentar) no Brasil  é o que, no fundo, propõe a reforma da previdência.

Wanderley Parizotto*

A proposta enviada ao congresso pelo presidente Michel Temer e construída pelo Sr. Henrique Meirelles, Ministro da Fazenda, promoverá, se aprovada, a maior faxina de velhos pobres no Brasil.

Ao alterar a idade mínima para 65 anos, esta reforma simplesmente empurrará o problema para frente e aniquilará os velhos de menor renda, de formação precária, de baixa e média qualificação profissional.

A primeira questão que se impõe: quem contrata pessoas com mais de 55 anos hoje? A menor parte, quase desapercebida, do mercado de trabalho. Esta realidade vai mudar? Não creio.

Se sequer o país dá conta mínima do ensino básico, um dos piores do mundo, quanto mais da capacitação continua de pessoas para fazer jus às necessidades do mercado, de forma a estender a longevidade profissional.

A reforma da previdência é premente, contudo, mais uma vez, o fardo será jogado sobre os ombros de quem mal consegue carregar sua própria vida.

A cena parece dramática? Pois o futuro do brasileiro pobre e sem qualificação poderá ser esse se as regras da reforma da previdência não forem alteradas. (Imagem: Pixabay).

Alguns dados sobre a realidade de hoje: 71% dos aposentados brasileiros ganham, mensalmente, um salário mínimo, enquanto 20 % recebem 80% do total de desembolso da Previdência com pagamento de aposentados.

Vale lembrar que o nosso Presidente da República recebe todo santo mês algo em torno de  R$ 30.000,00 de aposentadoria. Temer aposentou-se aos 55 anos, há 20 anos, como procurador do Estado de São Paulo.

Aposentadorias faraônicas no judiciário, legislativo, executivo – em todas as esferas -, universidades públicas, nas forças armadas (diversas com isenções de impostos) deputados que se aposentam com dois mandatos…

Todas essas aposentadorias  são um escárnio.  E quanto é sonegado?

Por que esses números não são abertos? Por que não discutir a reforma da previdência de forma transparente e passar à elite que come a maior parte da pizza, o maior ônus?

É fácil colocar o problema numa planilha e resolver matematicamente empurrando os erros e distorções criminosas sobre os mais pobres.

Caso o tema não seja discutido por todos, em breve, muitos velhos não terão nem emprego nem renda. Será a próxima geração ‘nem nem’ .

*Economista, fundador do Portal Plena.

 

2 de comentários

  1. Assino em baixo do que você escreveu, Wanderley.
    Mas não é matéria suficiente para preencher com todas as letras os noticiários televisivos.
    A ‘fala técnica e pasteurizada’ dos comentaristas nem de longe levantam essa bola. Vovô diria: um despautério! Eu diria: um gerontocídio silencioso, praticado em nome da insensibilidade técnico-matemática.
    A emoção sem a razão é insensata. Mas a razão sem a sensibilidade é cruel.
    Tem-se ausentado a ética destas propostas indecorosas. Que a previdência necessita de reforma e atualização? Não tenho a menor dúvida sobre isso. Mas não será desta forma que o estado de coisas haverá de melhorar. Quero ver – ou melhor – não quero ver, como as famílias vão se virar com pelo menos quatro idosos doentes nos ombros de trabalhadores de 55 anos, desempregados, logo mais. Tragédia anunciada! Sem saúde, sem trabalho, sem um cuidado, ser idoso se constituirá numa condição de altíssimo risco. As covas rasas e coletivas vão ganhar muito espaço em torno das cidades.
    Não quero estar viva para assistir a isso!

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