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Fim da cultura “velho não pode”: Documentário Envelhescência revela a tônica que parece reger a nova geração de idosos

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Você tem um projeto de vida? Está pensando em fazer algo novo ou realizar um desejo antigo? Longa, que estreia em 17 de junho, mostra a relação entre envelhecer e a reconstrução da história pessoal por meio de novas experiências

 

Por Mariana Parizotto

 
 
Você tem um projeto de vida? Está pensando em fazer algo novo ou realizar um desejo antigo? Uma tatuagem? Que tal viajar ou ingressar numa turma de dança? Cantar? Virar professor? Calçar o tênis e partir para a corrida? Mudar a cor do cabelo. Aprender um idioma. Voltar a trabalhar. E por que não fazer uma faculdade? 
 
Como você está aproveitando a sua logenvidade? Está aí um dos pontos centrais do documentário Envelhescência, dirigido por Gabriel Martinez, que estreia no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo (CCBB-SP), no dia 17 de junho. O longa entrará na grade do Canal Brasil no mês agosto. O termo envelhescência surgiu em 1996, quando foi usado por Manoel Berlinck para descrever a transição da vida adulta para a velhice, uma alusão clara ao termo que define a fase entre a infância e a maioridade, a adolescência. Nas palavras de Berlinck, trata-se da "transformação da vivência da velhice em uma experiência que subverte as noções anteriores de declínio e degeneração, e apontam para uma relação criativa do envelhecer e da reconstrução da história pessoal por meio de novas experiências”.
 
Experiências criativas não faltam no documentário, que traz personagens extremamente interessantes e inspiradores, revelando uma nova tônica que parece reger a nova geração de "futuros idosos”. O longa não tenta excluir a realidade de que a velhice também pode ser limitante em diversos aspectos, porém ressalta que uma atitude proativa, humor e, sobretudo, a disposição de quebrar tabus sociais e estereótipos fortemente arraigados na sociedade contemporânea podem ser a chave para o bem estar na terceira idade.
 
“A velhice não é um problema para quem não se preocupa apenas com beleza e aparência. Para muitos, é a chance de se libertar das obrigações da vida adulta e dar início a projetos e atividades criativas. Existe uma cultura do ‘velho não pode’ que precisa ser superada. Velho pode sim! Você é livre para quebrar rótulos e tabus. A beleza da velhice está na possibilidade da dar foco em si mesmo, nos próprios desejos”, diz enfaticamente a antropóloga Mirian Goldenberg, em um dos trechos do documentário.
 

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O depoimento de Mirian ganha força com os personagens escolhidos para representar essa vitalidade na velhice. Edmeia Corrêa, que se tornou surfista após os 60 anos. Edson Gambuggi, que se formou em medicina aos 84; o japonês Kenji Ono, introdutor do aikido no Brasil e ainda hoje, aos 89 anos, um mestre admirado e praticante da técnica; Judith Caggiano, que começou a tatuar o seu corpo após os 70 anos; o incansável Oswaldo Silveira, maratonista campeão da categoria 80 a 89 anos; e o doutor Luiz Schirmer, um grande paraquedista com mais de 70 anos de idade.
 
Judith é uma das personagens mais emblemáticas. Casada por mais de 50 anos, foi na viuvez que ela se libertou e reiventou a própria vida. Fez inúmeras tatuagens, colocou mais de 20 piercings – alguns deles ela não revela o local – e leva hoje a vida que sempre quis, “eu sou livre, não tenho mais quem me vigie ou me controle. E posso dizer que ninguém me critica, pois o meu sorriso vem na frente e desarma as pessoas”, conta a senhora que adora falar gírias. 
 
É impossível não se contagiar com o longa, com as histórias e com o ritmo do filme, que em momento algum usa de artifícios piegas para engajar quem assiste. O longa dialoga e toca pessoas de todas as idades, afinal quem não pretende ser envelhescente, agregando não  só anos a nossa vida como vida aos nosso anos?
 
O projeto é patrocinado pela marca Plenitud, que pertence à multinacional Kimberly-Clark. O filme também teve o apoio do Centro Cultural Banco do Brasil, que cedeu o seu cinema para a sua primeira série de exibições públicas:17/06 às 19h; nos dias 18/06 e 19/06, às 13h e 15h; dias 20/06 e 21/06, às 13h; e no dia 22/06, às 13h e 15h.
 
Confira o trailer:

 
 
 

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