“Idoso transa, sim!”: gerontóloga enfatiza a necessidade de pararmos de estigmatizar a terceira idade

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Por que a foto do ator Stênio Garcia nu com sua mulher causou tanto furor na internet?  

 

por Mariana Parizotto

 
Causou verdadeiro furor na internet na semana passada fotos mostrando o ator Stênio Garcia, 83, e a mulher, Marilene Saade, 47, no quarto, completamente nus. As imagens, feitas com celular, foram colocadas na rede por pessoas ainda não identificadas. O caso suscitou comentários hostis e muito preconceituosos nas redes sociais, centrados na idade do ator.
 
Gaya Piovesan, filha do ator, afirmou que é difícil certas pessoas entenderem que um homem de 83 anos de idade ainda tem vida sexual ativa. "Os maiores preconceitos que vi nesse episódio foram sobre a nudez de um homem com mais de 80 anos (e não um garotão galã de 20/30 anos) e dele ter ainda uma vida sexual ativa nessa idade. Infelizmente a nossa sociedade tem muito o que amadurecer. Que esse episódio sirva de reflexão sobre esses tabus", desabafou ela em um post nas redes sociais.
 
Ao contrário do que o senso comum prega, nos últimos anos, a terapia de reposição hormonal para as mulheres e os tratamentos para que os homens possam prolongar a ereção possibilitaram aos idosos manterem uma vida sexual bem ativa. “Alguns assuntos precisam ser falados. Velho transa, sim! As pessoas precisam começar a entender  que a terceira idade é mais uma fase da vida. Há bons momentos e há momentos difíceis, desafios e possibilidades, assim como nas demais etapas da vida. O velho não está esperando a morte chegar e também não está na melhor idade. De modo geral, as pessoas estigmatizam os indivíduos dessa faixa etária, o que dificulta a discussão sobre assuntos de extrema importância, como o sexo”, comenta Elisabeth Frohlich Mercadante, professora doutora de Gerontologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. 
 
Segundo a especialista, marginalizar temas como sexo, alcoolismo ou drogas na terceira idade é um agravante para a saúde e qualidade de vida dos idosos, “devemos olhar essa faixa etária com mais realismo. Este público nunca está no foco das propagandas contra Aids, tão pouco vemos campanhas do governo falando sobre a incidência de alcoolismo depois dos 60 anos. Entretanto, os casos de doenças sexualmente transmissíveis só aumentam entre os idosos. Eles frequentam bailes, namoram, têm relações, mas não têm informações sobre como usar uma camisinha”.
 
Elisabeth Mercadante conta que em muitos grupos da terceira idade, são as próprias idosas que ensinam umas a outras como usar preservativo, “vamos parar de rotular e vamos começar a, de fato, discutir o envelhecimento. Dar voz e vez ao idoso. O meio acadêmico já está fazendo isso, mas a sociedade, a mídia e o próprio governo também precisam começar a colocar estes assuntos em pauta”, ressalta.
 
 
 

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