Mês do Alzheimer: A difícil missão de cuidar quando não há cura

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Conhecer a doença mais a fundo é também uma possibilidade de se preparar para o futuro e evitar que o cuidador familiar acabe virando o ‘doente’

por Mariana Parizotto

Entre todos os desafios e desgastes causados pelo Alzheimer em cuidadores familiares, a frustração por se tratar de uma doença sem cura é um dos maiores motivadores de sofrimento e, consequentemente, gatilho para um quadro depressivo do cuidador.

Segundo a psicóloga Simone Manzaro, voluntária na Associação Brasileira de Alzheimer-ABRAz, a informação é o principal aliado que o cuidador familiar pode ter, “não estou dizendo que a ‘informação’ vai eximir o cuidador do sentimento de culpa ou que vai afastar outros sentimentos vindouros, mas informar-se sobre a doença, seu curso, suas dificuldades, prepara o cuidador familiar tanto emocionalmente como fisicamente para lidar com a doença, com a pessoa doente, com a nova rotina que será estabelecida, com a administração dos gastos relativo à pessoa doente e principalmente com o cuidado a ser prestado”, explica.

Cuidar de alguém que dia após dia fica mais limitado e debilitado pode gerar diversos sentimentos, como impotência e culpa. Sem preparo e sem saber como lidar com essa situação,  o cuidador familiar, principalmente aqueles que não têm o apoio de outros familiares, acaba perdendo a própria identidade, o que favorece o desencadeamento de algumas doenças físicas e emocionais, entre elas a depressão. “Em sua grande maioria o cuidador familiar coloca as necessidades da pessoa doente acima das suas e, acaba por deixar de lado um pouco de sua vida e do cuidado que deveria ter consigo, como alguns minutos de lazer, conversar com alguém, fazer um passeio, ir ao cabeleireiro. É claro que nem sempre isso é possível, mas organizar e disciplinar a divisão de tarefas entre outros familiares para que, minimamente, esse cuidador tenha um tempo para si, pode auxiliar muito em relação à depressão”, alerta Simone.

Sintomas da depressão em cuidadores:

 Os principais sinais que devem ser observados no cuidador são: solidão, tristeza, raiva sem motivo, interesse diminuído, perda ou ganho de peso de forma significativa, isolamento, entre outros. Depressão é uma condição muito séria e que deve ser avaliada e acompanhada por um médico.

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