O Brasil envelhece e os municípios não percebem que eles é que pagarão a conta

A grande maioria dos 5.570 municípios brasileiros ainda não percebeu que serão eles que pagarão a conta da falta de discussão e preparo para o fenômeno do envelhecimento no Brasil. Afinal as pessoas moram nas cidades.

Wanderley Parizotto*

Sufocados por necessidades imediatas como saúde, transporte, educação, urbanização e outros, não conseguem olhar um pouco mais a frente. O Brasil não planeja, não discute problemas em médio prazo. Assim, sempre está pagando contas atrasadas.

Só que, nos próximos anos, a conta que será apresentada não terá como ser paga.  Teremos cidades com mais de 30% da população formada por velhos, pessoas com mais de 60 anos, sem renda, sem trabalho, com doenças cerebrais  ( como Alzheimer), sem moradia, sem saúde e sozinhos.

Hoje os municípios limitam-se a promover Clubes da Terceira Idade, Centros de Convivência e alguns eventos, ou seja, estão sempre olhando para trás, isto é, para quem já envelheceu.  Não olham para frente, para quem vai envelhecer.

As cidades que olharem para frente agora, perceberão que os gastos com a discussão sobre como envelhecer melhor são infinitamente menores se comparados aos gastos que terão em 20 anos com seus velhos.

É preciso discutir este assunto nas comunidades, nas escolas, nas câmaras municipais. Discutir coisas objetivas como:

  • como manter-se atualizado e capacitado para trabalhar mais tempo em diversas profissões?
  • como manter-se produtivo?
  • como gerar valor e renda depois dos 60 anos?
  • como fazer com que o cérebro acompanhe a longevidade do corpo?
  • como manter a vida social com famílias cada vez menores?

Está mais do que na hora de acordar.

*Economista, criador deste portal.

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