O empoderamento dos 60+ começou: eles compram, decidem e detratam marcas que não atendem suas necessidades

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Entendeu ou se confundiu? Os 60+ querem que as coisas sejam mais simples, mas ao mesmo tempo estão se adaptando bem à tecnologia que realmente interessa. O motivo: não perder tempo
 
Por Martin Henkel, publicitário, empresário, diretor e co fundador SeniorLab Inteligência em Mercado Sênior – empresa especializada em ajudar marcas, produtos e serviços a se relacionarem melhor com consumidor 60+
 
Muito se fala sobre o envelhecimento no Brasil especialmente sob os aspectos previdenciários, da assistência ou desassistência e de como a sociedade precisa se preparar para dar espaço para a terceira idade. Há um pequeno detalhe que a maior parte do mercado ainda não percebeu que que conduz nossas percepções para outra direção. Bem oposta à que tratamos mais acima. A inclusão pelo consumo! Nossos 60+ compram (e muito), decidem, escolhem, substituem, detratam marcas e produtos que não atendam suas necessidades e têm planos para os próximos 20 anos.
 
Nas minhas palestras faço o seguinte exercício de tangibilização: Os 60+ são 25,4 milhões de pessoas no Brasil. Neste exato minuto passam pelas suas carteiras e contas bancárias aproximadamente R$ 1,2 milhões. Por minuto! Por hora são R$ 73,3 milhões, por dia R$ 1,7 bilhões, por mês R$ 52,8 bilhões e assim vai. Em 2015 passaram pelas mãos dos 60+ mais de R$ 634 bilhões, quase 10% do PIB. 
 
Por isto afirmo que ´mesmo sem nosso protagonista ter percebido, sua inserção na economia já aconteceu. Eu entendo que agora os 60+ precisam empoderar-se e mostrar o que acontece com quem não dá a devida atenção à eles. As marcas, produtos e serviços precisam decidir se querem ter a chance de manter ou ganhar a preferência deste consumidor. Dar visibilidade e tangibilizar o “Poder Grisalho dos 60+” irá fazer o mercado responder mais rápido e de forma mais eficiente às necessidades e desejos do consumidor 60+.
 
Achou exagerado? Então imagine os consumidores 60+ de uma hora para outra ignorarem uma rede de supermercados. Abandonarem uma marca de café ou boicotarem uma operadora de celular. Estamos na iminência de assistir isto acontecer graças a um fator multiplicador e de incrível poder viral – as redes sociais. Silenciosa e irreversivelmente os 60+ se integram, se organizam e buscam e trocam entre si e seus familiares, referências de marcas, produtos e serviços. Foi isto que detectamos na Pesquisa Nacional Os 60+ e a Internet. Elogiam e recomendam quando gostam e criticam duramente quando uma marca ou empresa os desrespeita. Os 60+ são os que mais buscam recomendações e experiências na hora de tomar uma decisão de compra. No final de junho na BR Week, um importante evento do segmento varejista em São Paulo, foram apresentadas as 6 principais tendências para o varejo nos próximos anos. Uma delas, trata dos comportamentos e movimentos e do enorme poder de consumo da nova terceira idade. Demorou, mas os 60+ começam a entrar no radar do varejo.
 
Enquanto escrevo este texto já temos 4 milhões de perfis 60+ no Facebook, ou seja, 16% da população sênior do Brasil já está interagindo e opinando na rede social mais popular do planeta. O crescimento desta população na internet foi 11% em 2015 e em 2016 se projeta um crescimento de 17%. Aí meu amigo, se prepare porque aí o desafio da gestão de branding vai aumentar. As marcas, produtos e serviços que não andarem na linha começarão a perceber impacto na imagem e em seguida nas vendas.
 
Nas palestras e workshops sobre o comportamento do consumidor 60+ que tenho feito para empresas e profissionais de comunicação, vendas, produtos e marketing, percebo um antes e um depois bem marcantes. Antes aquele desconhecimento sobre este mercado vestido com a capa do preconceito. O depois é uma espécie de “como eu não percebi isto antes?”. Nossos estudos e observações afirmam que o consumidor 60+ não se sente satisfeito com a forma que é atendido no varejo, pelos produtos e embalagens que lhe são oferecidos, difíceis de abrir e pouco adequadas de manusear. A publicidade também não goza de grande simpatia dos 60+ que se sentem incomodados com a forma que a propaganda os representa. Vou dar um exemplo de desajuste entre produto e consumidor alvo em uma visão de marketing para ponto de venda: nos supermercados encontramos uma marca de suplemento alimentar para consumidores sêniores. Nas lojas que examinei o produto está sempre na prateleira mais alta que tem cerca de 1,80 metros de altura. O problema é que a população brasileira 60+ masculina tem em média 1,67 metros de altura e a feminina, a que mais consumiria o produto, tem 1,55 metros de altura. O consumidor alvo sequer visualiza o produto, alcançá-lo é mais difícil ainda.
 
O mercado demandará muito conhecimento, informações, dados e serviços para conhecer este grupo. O motivo é que é muito difícil conquistar um novo cliente 60+ pois eles têm tempo para pesquisar, experiência, são críticos, seletivos, sensíveis e tem dinheiro. Perder um cliente 60+ é inversamente mais fácil porque eles têm tempo, experiência, são críticos, seletivos, sensíveis e tem dinheiro. Dureza, hein? A geração Carpe diem não está para brincadeira, ela está cada vez mais empoderada.
 
 
 

 

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