O envelhecimento precisa ser discutido

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Não bastará mudar regras da aposentadoria. Se não houver uma enorme transformação cultural no pensamento coletivo sobre o envelhecimento a tragédia está posta. Se não houver uma ampla política  pública para o envelhecimento, que não tenha o olhar voltado somente para a previdência, o país virará um enorme caos.

Wanderley Parizotto *

 

Toda vez que leio ou vejo uma discussão sobre a previdência social no Brasil, tenho verdadeira vertigem. É que em nosso país,  como tudo mais, discutimos os problemas pelas consequências e não por suas origens.

Claro é que a conta não vai fechar para o pagamento dos pensionistas aposentados da Previdência Social. É pura lógica matemática. Não adianta ficarmos no velho cantochão: " não haverá dinheiro para pagar os aposentados." Disso já sabemos.

Há medidas emergenciais? Claro que sim. Porém o que é emergencial tem curta duração. Não basta simplesmente, através da lei, aumentar a idade mínima para qualquer cidadão aposentar-se. Muito embora, a matemática diga ser necessário. 

Explico: Vamos supor que eu tenha começado a trabalhar e a contribuir com a previdência aos 18 anos. E que, aos 53 anos, queira aposentar-me. Vamos também supor que eu morra aos 75 anos ( expectativa média de vida do brasileiro).

Na prática, isso significa que contribuí 35 anos e vivi às custas de alguém, seja da minha família ou do estado durante40 anos.

Porém, a possibilidade de que eu não morra aos 75 também é muito grande, pois os índices de longevidade _ também no Brasil – são cada vez mais significativos.

Assim, se eu morrer aos 85, terei trabalhado 35 e vivido sem contribuir por 50 anos. 

Esta será a realidade do Brasil muito em breve. Quando pensamos, individualmente, a conta ou buraco é de um tamanho; agora, quando falamos de 30, 40, 60 ou 100 milhões de pessoas a catástrofe é iminente. Em breve seremos 40 ou 60 milhões de velhos no Brasil. E, em menos de 100 anos, seremos mais de 100 milhões.

Hoje temos  24 milhões de pessoas nessa condição.

Como vemos, o cenário é assustador, mas o que me preocupa é que não vejo nossa sociedade atenta para tamanho do problema. Não vejo pessoas que poderiam contribuir para o necessário debate desse tema, discutindo o assunto. 

Não bastará mudar regras da aposentadoria. Se não houver uma enorme transformação cultural no pensamento coletivo sobre o envelhecimento a tragédia está posta. Se não houver uma ampla política  pública para o envelhecimento, que não tenha o olhar voltado somente para a previdência, o país virará um enorme caos.

Algumas questões:

Se viverei muito como será que lidarei com a vida dos 60 anos em diante?

Como estará meu cérebro e meu corpo?

Como farei para trabalhar e sobreviver?

Como irei cuidar da minha vida?

Acho prudente pensar e discutir o assunto na sociedade e com política.

 

*Economista

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