O que fazer quando o paciente com Alzheimer pergunta sobre pessoas que já morreram?

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Contar a verdade o tempo todo, além de causar sofrimento repetidas vezes, pode até agravar o quadro. Especialista dá algumas dicas de como o cuidador pode agir

 

Por Mariana Parizotto

“Onde está minha mamãe?”, “Que horas meu marido volta do trabalho?”, “Chama a minha mulher”. Falar de pessoas que já faleceram é algo muito comum entre os portadores de Alzheimer, doença degenerativa e progressiva que já tinge mais de 18 milhões de pessoas no mundo. A perda da memória recente e o não reconhecimento de entes próximos é um dos sintomas que mais caracterizam esta doença. 
 
“Por conta dessa perda de memória, os pacientes pensam e se comportam como se ainda estivessem vivendo em uma época passada de suas vidas. Por isso é muito comum falarem sobre as pessoas que já morreram como se ainda estivessem presentes. Isso pode ocorrer em qualquer fase da doença”, esclarece a psicóloga Simone Manzaro. 
 
Um dos principais dilemas dos cuidadores diz respeito sobre como agir nessas situações. Segundo a especialista, é aconselhável contar a verdade uma primeira vez, de forma sutil e delicada: ‘Olha Dona Maria, seu marido faleceu, agora ele está em um lugar bem bonito e perto de Jesus’. “Sabemos que contar a verdade vai doer e causar sofrimento, mas pelo menos uma vez ela deve ser dita, é uma questão ética. Porém, essas perguntas vão surgir muitas outras vezes, e não podemos ficar o tempo todo causando sofrimento no paciente, mesmo porque, daqui a pouco ele se esquecerá de tudo o que foi dito, mas o corpo registrará esse momento de dor e sofrimento, podendo até piorar o quadro da doença. Então, usamos de estratégias, às vezes contamos uma história, outras vezes omitimos como: ‘Olha Dona Maria, fulano foi trabalhar’. Sabemos que não é o correto, mas, não vemos motivo para causar sofrimento ainda maior no paciente repetindo a verdade sempre”, explica.
 
Outra dica importante é não ficar provocando ou “cutucando” o paciente com este assunto. Frases como ‘Olha mãe, o pai morreu, não vai mais voltar’ são totalmente dispensáveis. “O que dizemos e a forma como dizemos, fazem muita diferença. É preciso entender que se trata de uma lembrança do passado de forma recente, onde o paciente está re-vivenciando sua história, porém sem alguns personagens importantes, como pai, mãe, irmãos ou cônjuge”, ressalta a psicóloga.
 
É fundamental que cada paciente seja avaliado por seu médico para saber da necessidade ou não de medicação, uma vez que esta pode ajudar em determinados comportamentos como também pode agravar ainda mais.
 
 
 
 

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