Por uma vida sexualmente ativa além dos 70 anos!

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Médicos, idosos e a sociedade precisam quebrar o tabu e falar sobre sexo e doenças transmissíveis na terceira idade, alerta geriatra

 

Redação Plena

 
Ao contrário do que o senso comum prega, as pessoas continuam a desfrutar de uma vida sexual ativa na casa dos 70-80 anos, de acordo com uma nova pesquisa da Universidade de Manchester, na Inglaterra.
 
 Das 7.000 pessoas que responderam ao questionário dos pesquisadores, mais da metade dos homens (54%) e quase um terço das mulheres (31%), com mais de 70 anos, afirmou que ainda tinha uma vida sexual ativa. Um terço desse grupo disse que mantinha relações sexuais frequentes: definidas como pelo menos duas vezes por mês. A pesquisa é a primeira do gênero a incluir pessoas com mais de 80 anos de idade.
 
No comunicado de imprensa, os pesquisadores afirmaram: "Esperamos que os nossos achados melhorem a saúde pública por contrariar estereótipos e preconceitos sobre a sexualidade no fim da vida, e por oferecer às pessoas mais velhas uma referência para que elas possam relatar suas próprias experiências e expectativas. A pesquisa também destaca que tentar impor normas juvenis de saúde sexual para pessoas mais velhas é demasiado simplista e até mesmo inútil".
 
"Para aqueles que querem saber, o problema sexual mais frequentemente relatado entre as mulheres foi a falta de excitação, enquanto para os homens foi a dificuldade erétil", informa a geriatra Elaine Kemen Maretti, que integra o corpo clínico do Iredo, Instituto de Reumatologia e Doenças Osteoarticulares.
 
 No mesmo sentido, outro estudo, realizado com pessoas entre 57- 85 anos de idade, nos Estados Unidos, constatou que mais de um quarto das pessoas com até 85 anos de idade relatou ter mantido relações sexuais no ano anterior.
 
 Nos Estados Unidos, o fato dos idosos se manterem sexualmente ativos não vem desacompanhado de problemas.  De acordo com os Centros de Controle de Doenças, as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) estão se espalhando "como fogo". Desde 2007, a incidência de sífilis entre os idosos subiu em 52%, a de clamídia aumentou em até 32%. O problema tornou-se suficientemente grande. Agora, o sistema de saúde pública oferece exames gratuitos de DSTs para idosos.  
 
Segundo a geriatra do Iredo, "nos últimos anos, a terapia de reposição hormonal para as mulheres e os tratamentos para que os homens possam prolongar a ereção possibilitaram aos idosos manter a vida sexual ativa. No Brasil, além da maior frequência de sexo nessa faixa etária, outro problema tornou-se preocupante: o aumento do número de infectados pelo HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis, como sífilis, gonorreia e clamídia".
 
De acordo com o Boletim Epidemiológico do Departamento de DST e AIDS, do Ministério da Saúde, de 1980 até junho de 2011, foram notificados 16.838 casos de AIDS em pessoas com idade igual ou superior a 60 anos. Em 2000, foram registrados 702 casos nesta faixa etária.
 
 "Hoje o idoso vive mais, namora mais, então temos aproveitar as consultas geriátricas para falar sobre a prevenção das DSTs/AIDS e sobre a importância da vida sexual", defende a médica.
 
 

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