Terceira idade não significa aposentadoria intelectual e social do indivíduo

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 “É inaceitável que uma sociedade não valorize alguém que tenha mais de meio século de sabedoria”, diz monja taioista. Veja o relato completo

 

Por Mariana Parizotto

 

Certa vez, em um dos  Cafés +60, um encontro mensal que reúne empresas e voluntários para debater sobre o papel do idoso na sociedade brasileira, conversei com uma monja.  Com fala baixa e suave, e um leve sotaque de quem nasceu na Argentina, a monja taioista itinerante, Sannyasini Shadhu Shakta, deu uma verdadeira palestra sobre o envelhecimento, “é inadmissível que uma sociedade não valorize alguém que tenha mais de meio século de história e sabedoria. Não aproveitar o potencial dos idosos é um desperdício”, indignou-se, sem perder o tom de voz sereno.
 
Com a aparência simples e doce, a monja contou que já andou por várias partes do mundo e pode ver de perto algumas culturas e países que valorizam e muito a sabedoria dos mais velhos, “na Espanha, os idosos recebem dinheiro do governo para darem aula de história para as crianças nas escolas. Eles contam suas percepções sobre fatos históricos. A vivência deles á aproveitada”. 
 
Por outro lado, segundo Sannyasini Shadhu Shakta, no Brasil, muitos associam a terceira idade à aposentadoria intelectual e social da pessoa.  “Todas as atividades que faço com os idosos, como a dança circular, é de resgate de autoestima. E posso garantir uma coisa, eles querem fazer, querem conhecer, querem aproveitar a vida. Tenho uma aluna de 93 anos que toma três conduções para fazer minha aula de dança. É lindo como essa senhora é cheia de vida”, emocionou-se a sorridente monja.
 
 A iniciativa da monja, que também já pertence a faixa etária mais 60, é solitária e quase sem ajuda de custo alguma. “Vida de quem se doa aos outros é assim. É um pouquinho o que eu faço”, disse ela – sem mensurar talvez a grandeza de seus atos. 
 
O depoimento de Sannyasini Shadhu Shakta resumiu o que nós, do Plena, assim como o Lab60+, buscamos: mostrar que não há limite  de idade para se realizar, trabalhar, interagir e construir projetos com amigos, familiares e comunidade. Estamos aqui para conectar histórias que inspiram novos comportamentos e um novo movimento da terceira idade brasileira.
 

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