Thereza Garcia: filha pede justiça para a mãe que foi agredida ( por enfermeiro) dentro de um hospital

Vocês se lembram da  história de Thereza Garcia? A senhora que foi internada no Hospital do Servidor Público, em São Paulo, e que, enquanto esteve na UTI foi agredida por um enfermeiro?  Na foto que  foi divulgada incessantemente na WEB, pudemos vê-la com um olhar tristíssimo, hematomas na face e sua imagem comoveu a todos nós.

Ana Claudia Vargas

 

Mas para além desse fato lamentável e absurdo, quem foi Thereza Garcia? Que história de vida existe atrás do rosto daquela mulher idosa que foi covardemente agredida em um …. hospital?(!) Pois, nesta entrevista, Hedilaine Garcia, filha de Thereza, nos conta que sua mãe era muito carinhosa e alegre, que participava ativamente da vida dos filhos  e que, acima de tudo, adorava viver. Ela  também faz um apelo para que seja feita justiça e para que o ‘enfermeiro’ que tão covardemente a agrediu seja exemplarmente punido pelo crime hediondo que cometeu.

 Hedilaine Garcia nasceu em São Paulo na década de 1970 e, por uma infeliz coincidência, no mesmo hospital no qual sua mãe seria agredida anos adiante. Já sua mãe, Thereza, era uma paranaense nascida em 1938, que se casou em 1963 com seu pai, Pedro. A lembrança mais marcante que ela guarda da mãe é o imenso carinho que ela dedicava a todos que a cercavam: “Ela foi uma mãe maravilhosa, carinhosa, nunca apanhei,  nem meus irmãos.. Com os netos também sempre foram só carinhos,  chamegos e muito,  muito  amor. Me lembro que na infância, quando tinha matinês de carnaval, ela sempre me levava e também gostava de levar tanto eu quanto  minhas amigas para o Playcenter… Ela sempre acompanhava nossas brincadeiras…Também me lembro que aos domingos, íamos a pé passear no Horto Florestal, e outra lembrança que guardo, é de quando ela  ajudava empurrar o carro do meu pai..”.

Hedilaine também conta que Thereza sempre sofreu com feridas chamadas úlceras varicosas que a levavam a fazer  tratamentos constantes e que ela foi internada devido às dores insuportáveis que sentia. Mas a internação não foi simples nem rápida: “Uns três meses antes de levá-la para o Pronto Socorro _ pois  ela sentia muita dor, muita mesmo, e nenhum remédio tirava esta dor_ eu já estava a levando em um médico particular, porque mesmo o hospital (do Servidor Público)    analisando o exame que mostrava que a situação dela não estava nada boa,  nada foi feito… Assim,  não aguentando mais ver o sofrimento dela, que chorava a toda hora por causa da dor _ e isto também doía em mim _ resolvi, no dia 27/03/2017, levá-la para o Pronto Socorro, mas no dia seguinte, o medico deu alta para ela, acredita? Então, naquele dia meu irmão me ligou pedindo  para que eu não a trouxesse de volta sem resolver a situação… Depois, eu consegui a internação com ajuda de amigos que são funcionários do hospital e,  na quarta-feira, minha mãe  foi internada, de fato”.

“Ela foi uma mãe maravilhosa, carinhosa, nunca apanhei,  nem meus irmãos.. Com os netos também sempre foram só carinhos,  chamegos e muito,  muito  amor…”

Hedilaine relembra que a mãe estava bem, lúcida e esperançosa de que iria, finalmente, se livrar daquela dor constante que a atormentava. Segundo ela, Thereza estava, naturalmente, com ‘medo antes da cirurgia’, mas todos os exames pré-operatórios já haviam sido feitos. “A médica, um dia antes conversou comigo e com meus dois irmãos sobre o risco que envolvia a cirurgia”, observa.

No dia anterior à internação Hedilaine também se lembra que a mãe chorava em casa por causa das dores e não podia ficar em pé nem por cinco minutos. Mas, apesar disso,  ela observa que Thereza  estava confiante de que “ali, naquele hospital”,  seria bem tratada, iria fazer exames,  iria sair dali e voltar para casa sem dor e com um diagnóstico, pois, embora já tivesse tomado muitos remédios, nenhum deles havia sido eficaz no combate à  dor que a atormentava.

Ela continua: “Desde o começo, o mais lamentável desta história, é que minha mãe ficou no Pronto Socorro, sentada na cadeira,  até que arrumassem uma maca na qual ela continuou sentada, pois não podia se deitar, tamanha era a dor… depois é que surgiu uma vaga e ela foi, finalmente, encaminhada para  quarto.”

Hedilaine lembra que sua mãe “sempre foi tranquila, calma, e nunca gostou de incomodar ninguém. Muitas vezes aguentava calada suas dores para não incomodar, também não gostava de pedir nada, passava noites e noites sentada com dor, sem dormir, mas nunca foi de incomodar ninguém por causa disso”.

Outro fato que Hedilaine lembra é que, ao visitar a mãe quando ela ainda estava no pronto socorro, percebeu que  ela estava triste pois nada havia sido feito e ela ainda continuava ali, no corredor…  Segundo ela ‘quem estava fazendo os curativos para minimizar as dores dela era eu,  mas quando ela subiu para o quarto, foi bem tratada, cuidada, os exames foram feitos, ela foi banhada no leito, foi medicada… Porém, ela estava com muita vergonha por estar usando fralda e tendo que receber ajuda de outras pessoas para tomar  banho. Minha mãe nasceu no interior e mesmo morando em São Paulo, tinha os mesmos costumes …” Ela queria ir ao banheiro sozinha e poder tomar seu banho sozinha, sem ajuda de ninguém”.

Como vemos, Thereza estava passando por uma internação normal dentro dos padrões de um hospital público que oferece os serviços possíveis e limitados: ela teve que aguardar algum tempo em um corredor, no pronto socorro, até que surgisse uma vaga e ela pudesse ser transferida para o quarto, mas, a partir dali, ela receberia todo o tratamento adequado para sua condição. Hedilaine continua lembrando que até aquele  dia fatídico, tudo estava normal e  levava a crer que sua mãe voltaria logo para casa, depois da cirurgia vascular que faria.

Mas então, ela receberia uma ligação em pleno domingo de páscoa que a deixaria aterrorizada.

Um  (terrível) domingo de Páscoa

Naquele domingo de Páscoa, Hedilaine lembra o seguinte: “Estava terminando o almoço, era dia 16/04/2017,  mais ou menos umas 11h:20, quando a assistente social me ligou falando: ‘Sua mãe está dizendo para enfermeira do plantão do turno que trocou às sete da manhã que foi agredida pelo enfermeiro da madrugada … Ela também disse que eu tinha que ir para o hospital o mais rápido que pudesse para saber se era verdade a tal agressão. Quando eu cheguei com meus irmãos e minha cunhada no corredor da UTI,  olhei para minha mãe, ela começou a chorar e vi rosto dela… Nossa!!!!!! Que desespero! Que revolta! Quando olhei e vi o  rosto dela todo vermelho, os olhos e o queixo roxos… Comecei a gritar no meio do corredor para os meus irmãos, pedindo para que chamassem a policia e  a imprensa porque minha mãe tinha sido sim, agredida! Passei mal, quase desmaiei, quando me acalmei fui conversar com ela e ela estava muito, muito, assustada e  chorando bastante… A pressão dela foi para 23 X11, um perigo, ainda mais que foi logo após a cirurgia!  Ela então relatou como foi: disse que o enfermeiro  tinha dado vários tapas e socos, que havia puxado os cabelos dela e que toda hora ele vinha até a porta e olhava para ver se não tinha ninguém pois, assim, poderia agredi-la novamente.. Ela achou que ele iria matá-la, ‘fora’ os palavrões que ele falava toda hora…  Minha mãe disse que ele era um homem  moreno e baixo, de cabelos grisalhos, e ela o chamava de coreano mas,  na verdade,  ele é  japonês”.

Logo depois, Hedilaine conta que seu irmão e cunhada foram  para  a delegacia e fizeram um boletim de ocorrência.

“Estava terminando o almoço, era dia 16/04/2017,  mais ou menos umas 11h:20, quando a assistente social me ligou falando: ‘Sua mãe está dizendo para enfermeira  (…) que foi agredida pelo enfermeiro da madrugada’ … Ela também disse que eu tinha que ir para o hospital o mais rápido que pudesse para saber se era verdade a tal agressão. Quando eu cheguei (..)  olhei para minha mãe, ela começou a chorar e vi rosto dela… Nossa!!!!!! Que desespero! Que revolta! Quando olhei e vi o  rosto dela todo vermelho, os olhos e o queixo roxos …” 

Revolta e tristeza

Hedilaine diz que sofreu tanto ao ver a mãe naquele estado, ficou tão ‘fora de si’, que só foi saber, recentemente, como foi que saiu  do hospital e chegou em casa, pois não conseguiu guardar os detalhes do seu retorno para casa.

Ela continua se lembrando daquele dia: “É muito revoltante quando você pensa que sua mãe está sendo bem cuidada, bem tratada por profissionais da saúde que estudam e que sabem da ética e da conduta que devem existir na profissão; que sabem que devem deixar o paciente o quanto antes bem, para que ele possa  voltar para casa… Mas aí, a gente  se depara com um ser humano desse? Te juro, que se ele estivesse lá, teria arrebentado ‘ele’ de tanto bater … Porque não levei minha mãe para um ringue, não foi para lutar e apanhar…foi para ser cuidada e para que tirassem  a dor que ela estava sentindo”.

Sobre a  fotografia que ‘correu’ a Internet e as redes sociais, ela disse que foi tirada por seu irmão, Ed Carlos,  e ela confirma que sua mãe disse exatamente o que foi divulgado: que o enfermeiro havia batido nela  “até cansar” .

E depois? Imagine-se no lugar de alguém que deixa a mãe ou uma pessoa da qual gosta, para ser cuidada em um hospital, e a encontra com o rosto coberto de hematomas… Qual seria a sua reação? Pois Hedilaine segue contando sua absurda  história: “Logo depois, não fui reclamar na direção do hospital…  A coordenadora da UTI foi informada,  lamentou muito pelo ocorrido e os próprios funcionários fizeram a reclamação _  porque fomos fazer o BO_  e na segunda-feira a história já estava  na mídia. Tenho um amigo que trabalha na TV Globo, enviei um e-mail para lá, e o repórter César Meneses foi enviado… Só que antes de fazer a entrevista, ele falou com o superintendente do hospital que foi muito infeliz no comentário dele ao dizer que poderia ter sido uma discussão ou um SIMPLES TAPA!! Epa!!!! ‘Pera aí??’ Um tapa??? Ela estava onde mesmo? Num ringue? Havia ido para uma pancadaria? Não, não!! Ela estava dentro de uma UTI para ser bem cuidada, bem tratada, esse SUPERINTENDENTE não serve para administrar nenhum hospital….. Foi infeliz nesse comentário idiota!”.

Hedilaine acredita que a agressão sofrida por sua mãe, agravou o estado de saúde dela e favoreceu o óbito:  “Minha mãe  teve alta da UTI no dia 19/04/2017, mas antes, foi visitada pelo  delegado e pela  escrivã que fizeram duas ou três vezes as mesmas perguntas;  e ela respondeu a mesma coisa, lúcida como sempre foi”, conclui.

“Tenho um amigo que trabalha na TV Globo, enviei um e-mail para lá, e o repórter César Meneses foi enviado… Só que antes de fazer a entrevista, ele falou com o superintendente do hospital que foi muito infeliz no comentário dele ao dizer que poderia ter sido uma discussão ou um SIMPLES TAPA!! Epa!!!! ‘Pera aí??’ Um tapa??? Ela estava onde mesmo? Num ringue? Havia ido para uma pancadaria? Não, não!! Ela estava dentro de uma UTI para ser bem cuidada, bem tratada…” 

Perguntada sobre se chegou a ficar frente a frente com o agressor, Hedilaine diz: ‘Haaaaa… Quem me dera ficar frente a frente com aquele covarde, bater em alguém indefeso em um leito de hospital é muito fácil…”

Sobre as questões jurídicas que envolvem o caso, ela destaca “A nossa justiça está andando, sabe como é né? A perícia ainda não saiu… isso porque disseram que sairia em 60 dias e dia 30 de agosto  fará 90 dias!”

Que se faça justiça: foi o último pedido de Thereza

Quanto ao agressor, está afastado do trabalho. Para Hedilaine a indignação é maior quando ela se lembra dos relatos que ouviu sobre o funcionário: “O que me deixa indignada é saber que têm profissionais lá dentro (do hospital) que estão me agradecendo, pois dizem que já trabalharam com ele em outro setores (e sabem) que há 20 anos existe conivência interna para com as agressões que ele já cometeu com outros pacientes mas, como se trata de funcionário concursado, ele não pode ser  demitido”

No entanto, apesar de estar vivendo uma situação típica de filmes de terror _ afinal, levar uma pessoa querida ao hospital para ser tratada e saber que esta pessoa foi agredida é algo que a gente costuma ver em filmes se suspense ou terror, e olhe lá! _ Hedilaine diz que o hospital está colaborando com as investigações.

Mas, ela diz se sentir de ‘mãos atadas’ e como a maioria de nós brasileiros, lamenta que a justiça seja tão lenta. Apesar disso, a moça diz estar ‘confiante de que a justiça será feita’ e lembra que este foi um pedido que sua própria mãe fez ao voltar para a UTI.

Aliás, ela recorda que as últimas palavras que sua mãe disse, na porta do elevador, ao voltar para a UTI no dia 29/04/2107 , foram “ que a JUSTIÇA SEJA FEITA”… Depois,  na visita às três e meia,  ela disse a mesma coisa, mesmo estando um pouco confusa e tendo alguns  delírios…”.

Pois justiça é o que todos nós queremos para este revoltante episódio que envergonha a classe dos profissionais da saúde e que atinge a todos nós, cidadãos deste país que ultimamente tem nos dado tão poucos  motivos de alegria.

Para terminar, Hedilaine ainda nos conta que, após a agressão, Thereza “ficou muito assustada, sentia um medo constante, ficou traumatizada, sempre achando que ele iria voltar para matá-la.. Não dormia à noite, tinha vergonha”.  Segundo ela, tudo isso faz com que agora ela não tenha medo de exigir justiça e de ir até às últimas consequências para obtê-la.

“Não devemos ter medo do amanhã… Estamos vivendo o hoje   e não o amanhã… O povo precisa erguer a cabeça”, conclui.

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