LIVROS: Ela escreveu um livro para celebrar a vida do esposo e alertar sobre os riscos do diabetes

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Angela Matos narra em ‘A saga do pé diabético’ a verdadeira batalha que seu marido enfrentou contra esta doença que faz cada vez mais vítimas.

Ana Claudia Vargas*

A professora aposentada, Angela Matos Gomes, viveu uma situação bem difícil recentemente, pois perdeu o marido, Armando Cerqueira Gomes, para uma doença que tem feito cada vez mais vítimas: o  diabetes.

Acompanhando-o  nos hospitais durante as muitas internações e consultas que, a partir de certo momento, se tornaram habituais, ela vivenciou momentos dolorosos e frustrantes; mas também otimistas e esperançosos. Pois esta experiência foi narrada de forma quase didática _ Angela foi uma professora apaixonada pela profissão, diga-se de passagem _ no livro que ela escreveu para celebrar a vida do esposo e também alertar para os riscos de morte que envolvem o diabetes. Intitulado simplesmente ‘A saga do pé diabético _ Um Relato de Experiência’**, sua narrativa apresenta todo o verdadeiro drama (e isto não é um clichê) que Armando viveu a partir do momento em que a doença se tornou incontrolável.

Meu marido vinha sofrendo nesse calvário há três anos e eu o acompanhava durante as 24 horas de cada dia. Nada, nenhuma palavra, é capaz de descrever tamanho sofrimento. Ele era diário, frequente, contínuo e sem nenhuma esperança de cura.  A doença afeta todo o organismo: do cérebro aos pés, causando desânimo, cansaço, sonolência, irritação, mau humor, falta de energia e fome…  (trecho do livro)

Pois, várias etapas vividas pelo casal, a partir do momento em que Armando começou a enfrentar uma  batalha mais intensa contra a doença _ na verdade, ele já travava uma luta com ela desde sempre, pois se tratava de uma condição genética  _  fazem parte do relato de Angela. Inclusive, ela fez questão de fotografar algumas etapas que o mostravam tristonho ou, ao contrário, animado e otimista.

Sobre a escolha de um título tão objetivo e direto, Angela diz que a ideia surgiu em razão do fato de que a doença se agravou de tal maneira que impediu a cicatrização de feridas derivadas das duas amputações que Armando já havia sofrido nos pés.

Em sua narrativa, a autora também descreve momentos nos quais o esposo foi atendido por profissionais de saúde interessados em ajudá-lo e oferecer alternativas que não fossem a amputação, e faz questão de agradecê-los.

 

A capa do livro apresenta uma colagem de fotos de vários momentos vividos em  família. (foto divulgação)

O livro de Angela Matos ‘chega’ em um momento oportuno, pois o diabetes é uma patologia que tem feito cada vez mais vítimas ao redor o mundo e hoje, neste nosso século XXI,  já afeta até crianças.  Segundo ela, sua segunda intenção, além da justa homenagem ao marido, foi escrever sobre a doença “para alertar as pessoas,  de todas as faixas etárias, de que o diabetes mata”. Em um mundo no qual os alimentos ultraprocessados e ricos em agrotóxicos ganham cada vez mais espaço e são oferecidos por pais que pensam estar fazendo boas escolhas nutricionais, é importante que estejamos atentos para todo o drama real e doloroso que o diabetes pode causar, mesmo em pessoas aparentemente saudáveis.

Infelizmente, o esposo de Angela _ apesar de não ter sido, em nenhum momento, negligente com a doença _ faleceu no final de 2023. Mas para além da grande tristeza e saudade que ela vivencia desde então,  a escrita do livro também se tornou uma ‘terapia’ ou antes uma maneira de celebrar a memória do esposo e a bela vida em comum  que o casal construiu.

O lançamento do livro

No final de novembro de 2024, Angela lançou o livro em um evento íntimo realizado em sua casa e recebeu familiares e amigos. E este mês não foi escolhido por acaso, pois 14 de novembro é a data designada, mundialmente, para alertar sobre os riscos do diabetes. Na ocasião, ela também falou sobre as razões que a levaram a publicar os registros de suas vivências em um livro e apresentou, aos convidados, um plano alimentar para prevenir a doença.

Mas o trabalho de Angela não terminou com a escrita e o lançamento do livro. Buscando conscientizar ainda mais pessoas  _ para além do círculo familiar _ em torno dos graves problemas de saúde causados pela doença, ela esteve recentemente em um centro esportivo do seu bairro para uma roda de conversa que ela mesma propôs à coordenação do local.

Durante o bate papo, Angela apresentou seu trabalho para os frequentadores e, mais que isso, buscou destacar que  prevenir o diabetes é sempre (bem) melhor que (tentar) remediar.

Veja a seguir, a entrevista que Angela Matos concedeu ao PortalPlenaGente+:

 Você se lembra quando e por quê resolveu escrever “A Saga…”?
R) Não me lembro exatamente quando e nem porque resolvi transformar os registros que fiz do agravamento da doença de meu marido no livro. Sei que, assim que surgiu a primeira ferida no dedão do seu pé esquerdo, fotografei-a para encaminhar a imagem a endocrinologista que cuidava dele. Na ocasião, ele havia terminado o tratamento antibiótico prescrito e este não resultou na cicatrização esperada da ferida. Passei, então, a fazer o registro escrito também porque isto nos ajudaria nos momentos das consultas a outros médicos. Tinha então a foto da ferida e o registro escrito de como tudo evoluía.
“Este relato pretende homenagear o protagonista destas memórias, ARMANDO CERQUEIRA GOMES, meu companheiro da vida toda, meu amor, pai dos meus filhos, meu mestre e incentivador de vida e atos; de crescimento pessoal, de curiosidade e coragem de viver plenamente, confiante de que o mundo é de todos e que ninguém é melhor, superior, pior ou inferior a ninguém. Assim aprendi enquanto vivi ao seu lado…” (trecho da abertura do livro) _ (imagem arquivo pessoal).

Enquanto acompanhava seu esposo em consultas e internações, você ficou, em algum instante, sem ânimo para fazer os registros? Se sim, o que a fez persistir?

R. Nunca pensei desistir das anotações. Pelo contrário; os registros fotográficos e escritos das consultas e das orientações médicas tornavam-se cada vez mais valiosos, porque nos ajudavam a dar sequência ao longo tratamento do “pé diabético”, doença resultante dos trinta anos de diabetes enfrentados por meu marido.

 

3) No livro você fez questão de agradecer a um médico que cuidou do seu marido. Por que você achou importante agradecê-lo?

R_  Na presença concreta de feridas que se necrosavam, buscamos vários médicos e mais de um hospital. Nos deparamos nesse périplo com profissionais da saúde de todos os estilos. Desde os objetivos e diretos, que se propuseram a amputar pura e simplesmente o pé esquerdo do Armando a àqueles humanos e sensíveis que se comoveram com o desespero de meu marido, ele não queria ter o pé amputado; desejava sim, que lhe curassem a ferida! Foi nessa situação que encontramos o Dr. Daniel Mendes Pinto, cirurgião vascular, que se propôs a fazer de tudo para curar o pé do Armando! E curou. Por isso, devotamos a ele toda a nossa gratidão.

4) Em geral, como você avalia a interação que teve com os profissionais de saúde que atenderam seu esposo?

R_ A maioria dos profissionais que cuidaram do Armando tinham um comportamento condizente com a profissão que escolheram seguir. Alguns, no entanto, foram insensíveis com o desespero do paciente que tinham pela frente. Um deles, médico vascular, foi curto e grosso com meu marido e decidiu como tratamento inicial, a amputação da perna. Armando ganhou, com a sensibilidade e o profissionalismo do Dr. Daniel, mais três anos de vida e prazer na convivência com a família e amigos. Pode pegar no colo o neto mais novo, hoje com dois anos de idade.
5) Podemos dizer que seu livro é um alerta para que as pessoas se cuidem e evitem o diabetes mas, sobretudo, que é uma homenagem ao seu esposo?
R_ Meu marido morreu no dia 30/11/23, com 78 anos de idade. Certo dia, numa das várias consultas do Armando ao Dr. Daniel, pude dizer a ele que eu tinha em mãos material de imagem e texto sobre o tratamento do Armando com ele e que daria um livro. O Dr. Daniel riu discretamente e não disse nada. Armando, meu marido, olhou para mim e disse afirmativamente: ela faz mesmo, viu doutor!
Angela fez questão de abrir o livro com uma citação de Drummond que diz “Mas as coisas findas/muito mais que lindas/essas ficarão” (Memória _ 1951) (imagem arquivo pessoal)
6) Quando e como foi o lançamento do livro realizado em sua casa? Fale sobre isso por favor.
R_ Quando Armando morreu, me veio a ideia fixa de transformar todos os relatos escritos que tinha em mãos em um livro que eternizasse a experiência vivida por nós dois e muito sofrimento, nos últimos momentos, antes da partida dele. Tive então, no desespero dos primeiros dias de luto, a convicção de que faria de tudo para transformar os escritos e as fotos em livro. Mas como? Quem faria isso para mim? Quem editaria aquele material e o transformaria em texto de alerta ao perigo de se ser portador da doença diabetes? Busquei no Google “jornalista de BH interessado em editar o meu relato de experiência sobre a saga do pé diabético”.
Para minha sorte, encontrei Ana Vargas, jornalista de São Paulo. Não nos conhecemos pessoalmente, mas a tenho como uma pessoa próxima, amiga, tantas foram e são as nossas conversas em função do livro. O outro orgulho que tenho é que o livro não só é um alerta forte a respeito da doença diabetes porque mostra o estrago silencioso que provoca no organismo de quem é diagnosticado com ela, mas é também a homenagem que desejei fazer ao meu marido. Fomos companheiros durante 47 anos e eu não poderia deixar que caísse no esquecimento a coragem do meu marido ao enfrentar todos os tratamentos que lhe foram propostos, desde que recebeu o diagnóstico do médico, de que estava diabético.
* Editora do PortalPlenaGente+
**A Saga do Pé Diabético foi publicado pela Editora Araticum. Quer saber como publicar seu livro com a gente? É só enviar um e-mail para ana.vargas@portalplena.com ou adicionar
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