A escritora paulista Débora Tavares, haicaista de reconhecido talento, revela o inusitado que se oculta Nas Linhas do Amazonas, nome do seu segundo livro.
Ana Claudia Vargas*
“A sintonia com a cultura japonesa aconteceu desde sempre. Apesar de não ter nenhuma descendência, meu pai também sempre apreciou a arte japonesa, como os bonsais, por exemplo. Em 2007 conheci a Igreja Messiânica Mundial do Brasil, cujo fundador é Meishu-Sama, e o interesse pela cultura japonesa só fez aumentar, haja visto o grande interesse dele pela Arte”: é assim que Débora Tavares explica brevemente seu interesse pela cultura japonesa como um todo.
Autora de dois livros de Haicais _ ‘Nanquim’ (Editora Escrituras), lançado em 2011; e ‘Nas Linhas do Amazonas – Haicais’ (Editora Araticum), lançado no final de 2025, Débora nos conta na entrevista abaixo detalhes de sua trajetória literária.
PPG+: Como surgiu seu interesse pela literatura?
Resposta: Quando criança, minha mãe lia para mim muitas histórias de contos de fadas. Me lembro dos livros grandes e ilustrados. Aquele universo me fascinava. Talvez tenha vindo daí o meu interesse.
PPG+: Quais são seus autores preferidos e por quê?
Resposta: Que pergunta difícil! Sou bastante eclética quanto à literatura. Gosto muito de ler Machado de Assis, Liev Tolstoi e Yasunari Kawabata. Três gênios da literatura, de diferentes nacionalidades, mas a meu ver com um traço em comum: a poesia. São autores sensíveis, que retratam o cotidiano com olhos atentos, com sabedoria, com descrições únicas, pinçando palavras e imagens. Eles me encantam profundamente.
PPG+: E o haicai? Como entrou na sua vida?
Resposta: Conheci o haicai na década de 1990, através do Paulo Leminski, com o livro “La vie em close”. O livro trazia poemas concretos e poemas breves, similares ao haicai.
PPG+: Qual foi o primeiro haicai que você escreveu? Ainda se lembra?
Resposta: Não me lembro… Sei que a princípio eu não buscava a linha tradicional que segue o haiku japonês (3 versos de aproximadamente 17 sílabas, com o kigo – palavra que faz referência à estação do ano). Minhas experiências de escrita eram mais livres. Inspirava-me nos poemas da Alice Ruiz, por exemplo.
PPG+: Por que o haicai te atraiu enquanto expressão literária?
Frequentei durante alguns anos as reuniões do Grêmio Haicai Ipê, coordenadas pela mestra e haicaísta Teruko Oda. As reuniões mensais eram realizadas sempre em grupo e ela nos ensinava sobre o haicai tradicional, da escola de Matsuo Bashô. Comecei então a pesquisar os mestres japoneses. Mais tarde, minhas pesquisas de Mestrado sobre o haicai no Brasil despertaram ainda mais o interesse por esse gênero poético que hoje já considero integrado à literatura brasileira.
Haicais são poemas breves e profundos e essa relação me instigava. Como concentrar em 3 versos uma sensação captada pela Natureza? Também me interessou a experiência de registrar uma sensação e não um pensamento. É um exercício difícil não priorizarmos os pensamentos, não expressarmos nossas opiniões mas meramente aquilo que vemos e sentimos. (Débora Tavares)
PPG+: E as oficinas que você ministra? Por que enveredou por esse caminho?
Resposta: Sempre sinto o desejo de compartilhar a Arte com as pessoas. Acredito na Arte como poderosa ferramenta de transformação do indivíduo e da sociedade. Foi este o principal motivo pelo qual iniciei as Oficinas. Na minha opinião o fazer artístico, seja ele qual for, é essencial para o ser humano. Na época da pandemia realizei algumas oficinas online e descobri que aquele formato era muito interessante no sentido de agregar pessoas de diferentes localidades do
Brasil e inclusive do exterior.
PPG+: Fale sobre seu último livro Nas Linhas do Amazonas – haicais: como surgiu o desejo de escrevê-lo?
Resposta: Estive no Amazonas no mês de setembro. A vivência junto à Natureza foi uma verdadeira epifania. Senti a necessidade de registrar o que vi e senti, então o livro nasceu, lá mesmo, em uma semana. Rapidamente. Intensamente. Foi uma inspiração que ainda não sei explicar. Nosso país é enorme e diverso. Somos muitos países em um e, ao mesmo tempo, somos um só Brasil. Toda essa diversidade cultural é muito grandiosa. O livro é apenas um grão de areia nesse universo.
PPG+: Você também gosta da cultura japonesa, de onde vem essa predileção?
Resposta: O Japão sempre me interessou. Acredito que seja uma relação ancestral. Após conhecer os estudos de Meishu-Sama (Mokiti Okada – 1882 – 1955), em 2007, o meu interesse se fez ainda maior. Suas pesquisas sobre Arte, principalmente, me trouxeram uma visão muito diferenciada sobre o papel do artista na sociedade. Estive, então, três vezes no Japão e a cada viagem, para contemplação e pesquisa, puder compreender um pouco mais sobre a cultura japonesa: suas peculiaridades, sua aparente simplicidade inserida em profunda sabedoria.
PPG+: Se quiser acrescentar algo mais fique à vontade.
Resposta: Gostaria de agradecer ao PortalPlenaGente+ por este espaço à Editora Araticum, parceira na publicação do meu livro ‘Nas Linhas do Amazonas – Haicais.’ Convido o público a conhecer o livro e também a experimentar ampliar o contato com a Natureza e com a Arte. Sinto que se faz cada vez mais necessária essa (re)conexão.
Quer saber mais sobre o trabalho da Débora? Siga a autora no Instagram @deborafernandestavares
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Jornalista, autora de 5 livros, um deles semifinalista do Prêmio Oceanos 2020.












