Agressões físicas e verbais se tornam rotina em hospitais e unidades básicas, levando medo e transtornos físicos e psicológicos a quem está na linha de frente do cuidado
Jornal da USP
A violência contra profissionais de enfermagem tem se tornado uma grave preocupação no sistema de saúde brasileiro. Enfermeiros, técnicos e auxiliares relatam agressões físicas, verbais e até ameaças constantes em seus locais de trabalho — sejam eles hospitais, prontos-socorros ou unidades básicas de saúde. Segundo dados do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), os casos de violência cresceram significativamente nos últimos anos, especialmente após a pandemia de covid-19.
O enfermeiro e professor Pedro Palha, diretor da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP, especialista em Saúde Pública, explica que a violência na enfermagem sempre existiu. Vale lembrar que o profissional de enfermagem geralmente é o primeiro contato de quem chega a um local de atendimento. De acordo com Palha, existem três tipos de agressões:
“A violência física, a violência verbal e a violência psicológica. No caso da enfermagem, por ser uma profissão majoritariamente feminina, existem questões de gênero que também definem o tipo de violência que é impetrado contra esses profissionais. Precisa levar em conta a questão de gênero e a questão étnico-racial, porque não dá simplesmente para a gente fazer uma leitura muito simplória em relação à tipologia sem levar em conta a formação dessa força de trabalho que é a enfermagem”.

Impacto na saúde e na carreira dos profissionais
O aumento da demanda por atendimento, a falta de estrutura nos serviços públicos e a sobrecarga emocional dos pacientes e familiares têm sido apontados como fatores que contribuem para o cenário. “Há uma banalização da violência. Os profissionais estão exaustos e, ao mesmo tempo, vulneráveis. A agressão passou a ser vista como parte do cotidiano”, afirma o Sindicato dos Enfermeiros do Estado de São Paulo.
Os efeitos desse ambiente hostil vão muito além do momento da agressão. Muitos profissionais relatam sintomas de ansiedade, depressão e síndrome de burnout. Além disso, há registros de afastamentos e pedidos de demissão, o que agrava a falta de pessoal e compromete ainda mais a qualidade da assistência prestada. Enquanto isso, quem cuida continua precisando de cuidado.
A enfermagem enfrenta uma dupla jornada: salvar vidas e lutar por respeito.
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Jornalista, autora de 5 livros, um deles semifinalista do Prêmio Oceanos 2020.







