Médico italiano antivacina diz que se arrependeu, mas só o arrependimento não basta

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Vacinar-se contra COVID-19 é a forma mais eficaz de  combater a pandemia.

Por Wanderley Parizotto*

 Toda e qualquer autoridade da saúde minimamente séria diz isso. Qualquer pessoa, com um certo grau de discernimento, em qualquer parte do planeta, também sabe disso.

Fora, claro, todas as outras medidas: uso de máscara, manter o distanciamento entre  outras.

No entanto, muitas pessoas se posicionam contra os imunizantes, fomentando o movimento batizado de “antivacina”. Um dos principais nomes dessa articulação é Pasquale Bacco, um médico italiano de 47 anos que ficou mundialmente conhecido por liderar o movimento antivacina na Itália.

Durante os dois primeiros anos de pandemia, Bacco visitou 300 praças italianas para realizar seus discursos negacionistas. Em muitos deles, o médico afirmava que os caixões de Bérgamo estavam todos vazios e que ninguém havia morrido pelo SARS-CoV-2, além de dizer que “há água de esgoto nas vacinas”.

Após tantas polêmicas e falas mentirosas, o médico veio a público relatar que se arrependeu do seu posicionamento e que, atualmente, defende a vacinação contra a Covid-19 e que a vacinação é o caminho para a vida normal.

Movimento antivacina

Durante uma entrevista ao jornal O Globo, Pasquale Bacco explicou que um episódio trágico o fez mudar de opinião sobre a imunização. O médico contou que no final de 2021 estava trabalhando na UTI e viu o caso de um jovem de 29 anos que faleceu em decorrência da Covid-19.

O ex-negacionista disse que o celular do paciente estava repleto de vídeos e fotos dele reforçando posicionamentos antivacina. Bacco disse que se sentiu culpado, mesmo que a família do jovem não o tenha responsabilizado.

O médico ainda relatou que ao contar o caso para colegas do movimento antivacina, muitos disseram a ele para que fingisse que não tinha visto nada e continuasse a subir nos palcos para fazer discursos.

Para Bacco, isso caracteriza má fé e ele não poderia continuar compactuando com tal situação depois do que viu na unidade de terapia intensiva onde trabalhou.

Bacco também contou que já tomou as duas doses da vacina contra a Covid-19 e que só não tomou a dose de reforço por ainda não estar no período certo.

No Brasil, mais de 650 mil pessoas já morreram por COVI-19 e milhares de pessoas estão sequeladas.

Estes números fúnebres poderiam ter sido bem menores. Quem vai responder pelas mortes desnecessárias e pela agonia das famílias?

Será que Bolsonaro, seus filhos, Damares Alves, Pazuello, Queiroga, outros ministros, Silas Malafaia, diversos médicos, alguns deputados e senadores, entre outros tantos, algum dia responderão pelos seus crimes que são vários? Entre os quais: descredenciar medidas restritivas, como isolamento social; pregar o não uso de máscaras; não comprar vacinas no tempo certo; criticá-las; pregar contra o passaporte vacinal; provocar aglomerações; criar problemas para a vacinação infantil e muito mais.

Como poderão pagar pelo crime de ter influenciado pais a não vacinarem seus filhos?

O Pastor Silas Malafaia, por exemplo, afirmou recentemente que vacinar as crianças causaria um infanticídio.

O atual presidente também deu a entender que vacinar crianças poderia causar  sérios problemas colaterais.

Não estamos falando de um médico italiano, mas de pessoas públicas, importantes e formadoras de opinião.

Será que o país esquecerá e deixará para trás nossa maior tragédia? Como, aliás, é pratica habitual no Brasil, simplesmente a página é virada e pronto. Vamos para a próxima.

Será que as pessoas que perderam entes próximos nada irão fazer? Por exemplo, no mínimo, processar civil e criminalmente essas pessoas que se intitulam humanas, apesar de todas as evidências em contrário.

Será que alguém em sã consciência imagina que todas estas figuras “negacionistas” não tomaram as vacinas? Se o presidente não tomou, como afirma,  por que então decretar sigilo do seu cartão vacinal por100 anos, como o fez? Se não tomou a vacina,  bastava apresentar o seu cartão vacinal e provar que não tomou.

Será que alguém ainda acredita que eles creem  naquilo que pregam ou o fizeram e fazem movidos por outras razões e interesses? Neste caso, quais razões e interesses? São eles que precisam responder. E fazê-lo nos tribunais.

É bom lembrar que, diferentemente do médico italiano, nenhuma dessas pessoas esboçou algum  sinal de arrependimento e muito menos de empatia pela dor alheia.

  • Economista, criador deste portal. Imagem de abertura: crédito não informado.

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